Mapas de Foco e Matrizes Curriculares: proximidades, integrações e diferenças

Os Mapas de Foco da BNCC e as Matrizes Curriculares da Fundação Roberto Marinho são materiais que foram desenvolvidos pelo Instituto Reúna com base na seleção de um conjunto de habilidades da BNCC, que favorecem o desenvolvimento integral dos estudantes.

Na organização de ambos os materiais, a seleção foi resultado de um mapeamento que priorizou determinadas habilidades dentre todas as que estão previstas na BNCC, partindo de critérios cuidadosamente estabelecidos para favorecer a garantia das aprendizagens dos estudantes em determinados contextos. Além disso, para a construção dos dois materiais, foram considerados também os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

Neste texto, contamos um pouco mais sobre esses dois produtos, por que foram feitos e como achamos que eles podem apoiar a efetivação de ações para garantir uma educação de qualidade a que todos os estudantes do país têm direito. Vamos lá?

Por que foram feitos 

Os dois materiais foram produzidos para orientar produções pedagógicas em cenários adversos, tais como correção de defasagem de aprendizagem, ou interrupção de aulas por qualquer motivo. No entanto, as Matrizes Curriculares têm sua finalidade centrada em projetos de correção da distorção idade-série e de Educação de Jovens e Adultos para os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, em todas as áreas e componentes curriculares, com exceção de ensino religioso. Os Mapas de Foco da BNCC, por outro lado, se destinam a apoiar a educação básica regular no Ensino Fundamental de 1º ao 9º ano, nos componentes de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza, História e Geografia. Eles foram criados com vistas a projetos de priorização curricular devido a pandemia, que assolou o mundo em 2020, e a programas de diminuição do distanciamento entre as aprendizagens atuais dos estudantes e aquelas previstas nos currículos alinhados à BNCC em fase de implementação no país desde 2019. 

Tanto as Matrizes quando os Mapas podem orientar a elaboração de propostas pedagógicas, produção de materiais didáticos, produção de mídias educacionais, de processos de avaliação, formação docente, entre outras propostas, sempre alinhadas à BNCC. 

Assim, as Matrizes Curriculares e todos os produtos que delas derivarem, deverão sempre ser utilizados para projetos que se dão em um tempo escolar reduzido. Já os Mapas de Foco e todos os produtos que deles derivarem objetivam apoiar redes e escolas a reduzir e evitar déficits de aprendizagem dentro do próprio percurso escolar dos estudantes. Os Mapas de Foco, portanto, ajudam assegurar que as desigualdades de aprendizagem entre os estudantes de um mesmo ano e em uma mesma turma, possam ser minimizadas ou corrigidas, buscando reduzir o distanciamento entre elas sem que, para isso, haja organização de classes de aceleração ou turmas de recuperação paralela.

Em meio à pandemia global que afetou todas as áreas da nossa vida, a BNCC e os currículos chegaram às escolas, e muitos gestores, educadores e estudantes tiveram que lidar com o distanciamento entre as aprendizagens esperadas e aquelas que foram realmente efetivadas pelos estudantes.

Ainda, é importante reconhecer, como apontam pesquisas do Datafolha e do projeto “A educação não pode esperar”, que o direito de aprender não está sendo garantido a todos(as) estudantes brasileiros, em que os mais afetados são estudantes negros e aqueles que residem nas regiões Norte e Nordeste do país. 

Assim, é uma tarefa desafiadora para os gestores públicos dar conta dessas desigualdades, ao mesmo tempo em que precisam:

  • ofertar oportunidades educativas que visem à formação integral e ao desenvolvimento pleno, a partir das competências gerais, seja em classes regulares ou em classes de aceleração da aprendizagem e na EJA, a partir de práticas pedagógicas significativas para os estudantes e
  • considerar as altas expectativas e a progressão das aprendizagens previstas pela BNCC/Currículos Referenciais, num contexto de reorganização do currículo e de necessidade de alinhamento destes com os materiais didáticos, as práticas pedagógicas e as avaliações. 

O nosso intuito é que ambos materiais apresentados ao longo do texto possam contribuir com a superação da defasagem das aprendizagens dos estudantes no contexto brasileiro rumo à equidade das aprendizagens conforme previsto na meta 7 do Plano Nacional de Educação e na ODS 4 da Agenda 2030. Afinal, essa é a razão da própria existência da BNCC, e por consequência, de todos os materiais que dela derivam.

Por Fabiana Cabral e Priscila Oliveira