Aprimoramento do Ensino de Inglês no Brasil

Em nosso país, numa perspectiva social, de acordo com dados do estudo Demandas de Aprendizagem de Inglês no Brasil, realizado pelo British Council no Brasil, em 2014, o domínio da língua inglesa parece ser restrito às classes mais altas e somente 5,1% da população total do país de 16 anos ou mais afirma possuir algum conhecimento do idioma. Mesmo entre esses 5%, apenas 53% têm um nível de proficiência efetivamente funcional. 

Por outro lado, cerca de 80% das vagas de empregos para cargos de alta remuneração têm o idioma como requisito. Esse fator coloca em vantagem o pequeno número de falantes que efetivamente domina a língua – e que é oriundo de classes sociais mais altas. 

Já um estudo da Harvard Business Review, evidencia que a proficiência em língua inglesa por parte da população de um país é um aspecto crítico para seu desempenho econômico, e que a melhoria do desempenho na proficiência está associada ao aumento da renda per capita. 

Dados como esses reiteram a urgência de haver ações efetivas em direção à aprendizagem adequada da língua inglesa no país. 

Neste contexto, nasce o Programa Skills for Prosperity (S4P), iniciativa viabilizada pelo fundo britânico Prosperity Fund, em parceria com um consórcio formado entre o Instituto Reúna, a Fundação Lemann, a Associação Nova Escola e o British Council, que busca apoiar o aprimoramento do ensino da Língua Inglesa nos Anos Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Técnico e Profissionalizante e na formação inicial de docentes. O Programa impactará mais de 4 milhões de estudantes e 21 mil professores, segundo o censo escolar 2018, contribuindo para a equidade, empregabilidade e desenvolvimento socioeconômico no Brasil. 

No contexto do Programa, cujo foco é diminuir desigualdades sociais por meio do ensino do inglês, reconhecendo a necessidade de superar visões estereotipadas e de construir um ensino baseado no respeito às diferenças e no acolhimento de grupos historicamente marginalizados, a língua inglesa é vista como uma peça-chave para o desenvolvimento do país. 

Dentre as diversas frentes do Programa, o Instituto Reúna trabalha especificamente para desenvolver referenciais técnico-pedagógicos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em diálogo com o Quadro Comum de Referência para Línguas (Common European Framework of Reference – CEFR), grande diferencial do programa – para alcance nacional. Os descritores do CEFR somam-se à BNCC para guiar a seleção e a progressão das necessidades de aprendizes para que se tornem usuários e usuárias da língua inglesa. Os referenciais que estão sendo desenvolvidos pelo Instituto Reúna são: 

  • Escopo e Sequência: descreve e organiza os objetivos de aprendizagem, habilidades e conhecimentos a serem contemplados nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, conforme indicados na BNCC, demonstrando equivalências com os descritores do CEFR, e apresenta uma sugestão de como uma sequência lógica e progressiva dentro do mesmo ano, no caso do EF, e de uma mesma etapa, no caso do Ensino Médio.
  • Referenciais curriculares: sugerem uma organização curricular para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, que contempla as competências gerais e linguístico-discursivas da BNCC e do CEFR. 
  • Guia de Proficiência:  apresenta expectativas linguístico-discursivas para estudantes e docentes da língua inglesa.
  • Guia de Formação Continuada: apoia o planejamento e a execução de ações de formação continuada específicas para docentes de Língua Inglesa.
  • Guia de Avaliação: apoia docentes na construção e aplicação de processos avaliativos, na interpretação dos resultados e na ação diante dos dados observados.
  • Guia de Material Didático: tem foco na análise, produção, escolha e uso do material didático de Língua Inglesa, com base no alinhamento à BNCC e diálogo com o CEFR, e na sua importância no processo de ensino e aprendizagem do idioma. 

 

Há cinco estados-piloto, liderados pela Nova Escola, representando todas as regiões brasileiras: Amapá (norte), Pernambuco (nordeste), Mato Grosso do Sul (centro-oeste), São Paulo (sudeste) e Paraná (sul), já trabalhando para a implementação dos referenciais acima descritos, que em breve estarão disponíveis no Observatório – Ensino da Língua Inglesa e poderão ser utilizados por redes e escolas de todo o país. 

 

Por Rodolfo Marinho, Andreia Alves e Livia Mottin